As primeiras impressões da Quatro cinco um – a revista dos livros

A revista “Quatro cinco um” é nova no mercado e chegou com tudo! A proposta, ao que parece, é ser extremamente segmentada, seu tema: LIVROS! Dê uma espiada nessa nova revista junto com a gente! =)

Ansioso pelos próximos números da revista, mas desde já um pouco desapontado com o caráter marketeiro, ao menos das duas únicas matérias sobre poesia. Não sou o maior fã de poesias, mas com a disciplina de Introdução ao Estudo Literário I, ministrada por Roberto Zular no curso de Letras da USP, não tive como reconhecer toda a engenhosidade, complexidade e beleza de um poema.

Aos poucos fui percebendo que tudo aquilo que aprendemos na escola não faz nenhum sentido. Poesia é muito mais que um verso, um conjunto de rimas bonitinhas ou algo escrito de um jeito diferente de uma prosa. É perfeitamente compreensível como as pessoas não gostam e não apreciam poesia, afinal, entrar nela é um trabalho árduo. Passar da leitura linear de “Em minha terra tem palmeiras | Onde canta o sabiá” para uma leitura ritmada e cheia de imagens, infelizmente, não é simples. Entender os lás e os cás, a mistura do leite com o sangue, o olhar de um antinarciso e seja lá o que mais a poesia nos possibilita é algo quase único. Quase, afinal, muita prosa com sabor de poesia prova que a classificação em gênero é tão complexa quanto entender as particularidades de cada um para além da simples diferença entre “verso” e “prosa”.

Cenário composto e voltando aos textos sobre poesia da “Quatro cinco um”, eles se propõe única e exclusivamente a nos dizer quem são os poetas. Um homem e uma mulher; New York e Canadá; um coração no bolso e apagamentos de si mesmo. São informações ou impressões? O que vale mais na poesia, baseado no que aprendi até então, não é tanto quem a fez, mas os sentidos e imagens que ela possibilita ao leitor, ou não? Sendo assim, ver textos sobre poesia que se limitam a repetir o que a Wikipedia provavelmente já fez com os poetas, me pareceu algo muito… estranho. Mas também como fazer diferente? Aqui me dou licença poética e estúpida de quem está nos primeiros passos: não sei.

(Texto originalmente publicado no blog Opinião Alex Contin em 25 de maio de 2017)

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