As primeiras impressões de um novo assinante da TAG Experiências Literárias

A proposta da TAG Livros é genial. A cada mês a equipe seleciona um curador e solicita a ele a indicação de um livro. O associado não sabe o que vai receber e aqui o fator confiança nos curadores e, acima disso, na capacidade da equipe da empresa em selecioná-los, é que faz a diferença. Além disso, o serviço também aposta na elaboração de seu kit: além do livro, em capa dura com um box colecionável e um “mimo” relacionado com o tema do mês, o associado recebe uma revistinha com informações sobre o curador, a obra e outros dados adicionais que, em tese, ajudam na leitura.

Curioso com o livro do kit de maio, indicado por Mario Vargas Llosa, resolvi assinar. O vídeo aqui no YouTube fala de minhas primeiras impressões como um novo assinante e há críticas! A principal é quanto à revista, pois eu esperava muito mais dela.

Apesar da diagramação maravilhosa, a revista da TAG falha nas informações. A pequena biografia de Vargas Llosa são suficientes para entendermos o valor que ele, como curador, tem para o clube de associados. Porém, as coisas param por aí. Em um determinado momento do texto sobre Llosa é citado que o escritor se distanciou do socialismo por conta de sua decepção com a experiência em Cuba. Ok. Pra mim essa é a informação mais relevante do texto e que deveria ter total ligação com a indicação do livro feita por ele!!!! Afinal, Llosa teria lido “O Leopardo”, o livro que indicou, antes ou depois dessa indignação? Isso faz toda a diferença para entender o valor que a obra tem para o curador. Se foi antes, a leitura do livro e a inevitável ligação com Llosa seria uma, principalmente por conta da revolução sobre a qual o livro se propõe a tratar e a transformação de uma sociedade alicerçada na igraja e na monarquia; se foi depois, a leitura muda de figura e os ideais liberais do livro saltam aos olhos de maneira mais evidente.

A única resposta que temos sobre o assunto é dada em uma frase: Llosa diz que “O Leopardo” é uma obra genial. Só isso???? Genial por que? por onde? por quando? por sei lá o que mais? Essa falha, pra mim, foi gravíssima porque esperava entrar de cabeça na leitura guiado por um curador ganhador de um prêmio Nobel. A falha, a meu ver, parece ser dos editores da revista que não questionaram Llosa sobre a indicação ou se contentaram apenas com uma frase qualquer ou não conseguiram acesso direto ao escritor e estão usando uma indicação dele para aumentar a visibilidade do grupo.

Neste último caso, sobre usar a imagem de Llosa, a impressão que me fica é que houve o seguinte diálogo (que pode ou não ter sido diretamente com o escritor):
– Sr. Llosa, somos da TAG e gostaríamos que o senhor indicasse um livro para nossos associados?
– Qualquer livro?
– Qualquer um!
– Ah, então coloque “O Leopardo” aí.
– Por que esse?
– Tenho que justificar?
– Seria bom…
– Ah, escreve que ele é uma daquelas obras literárias que aparecem de tempos em tempos e que nos deslubram…
– Obrigado, Sr. Llosa!

Senti falta de uma explicação mais apurada simplesmente porque foi Llosa quem indicou o livro! Por ser ganhador de um prêmio Nobel, a possibilidade de ler algo que ele leu e que tenha influenciado em sua produção realmente é um diferencial que a TAG poderia propagar por toda internet. Contudo, acredito que ficarei sem a resposta às questões que surgiram ao assinar e ao ler a revista.

O segundo ponto que me decepcionou foi a parte “Ecos”. A proposta é fornecer informações complementares que ajudam na leitura do livro. Nesta seção, os editores da revista colocaram um mapa (belíssimo, como toda diagramação) com as divisões dos reinos da Itália antes da sua união na nação italiana. Ok, relevante? Sim, afinal o personagem menciona e tramsita por essas regiões. Contudo, a meu ver, a questão da transição do feudalismo para o capitalismo seria mais crucial para o leitor se situar na obra. Um processo conturbado na história, dada a emergência do capitalismo, essa transição é objeto de diversos estudiosos como Dobb, Sweezy e Hobsbawn. Os dois primeiros se debruçam sobre o tema e o terceiro tem uma obra apenas para tratar sobre a formação dos estados nacionais. Imagino que talvez seja demais tratar tudo isso em duas páginas de uma revistinha, contudo, se a proposta é dar informações aos leitores, por que não investir num trabalho mais apurado e de maior valor?

Por fim, mas não menos importante, a revistinha da TAG pareceu ser tão machista quanto o Príncipe, personagem principal do livro “O Leopardo”. Por quê? Simplesmente porque o mimo enviado no kit, uma “bandeira” de algodão com fotos de ganhadores do prêmio Nobel de Literatura, mostra que a primeira pessoa latino-americana a ganhar o prêmio foi Gabriela Mistral, escritora chilena, em 1945. UMA MULHER, antes de qualquer outro homem! E mais: em uma área dominada (SIM) por homens até pouco tempo atrás! Ao invés de falar sobre ela, a revista optou apenas por tratar do boom de escritores latino-americanos (TODOS HOMENS) das décadas de 1960 e 1970! Estou exagerando ao criticar a opção da revista por não dar toda a atenção possível à Mistral????? Acho que não.

Conclusão: o primeiro kit me decepcionou um pouco. Estou ansioso para receber o kit de março, que veio com o livro “A Câmara Sangrenta” e mais ainda para o do próximo mês, que virá com uma obra situada na Rússia e nos Estados Unidos. Vamos ver se essa primeira impressão ruim se dissipa ao comparar a revista de maio com as demais.

Vale reforçar: o vídeo feito para o YouTube NÃO É propaganda para o serviço! Eu (Alex) e nós do Canal Marca Páginas não recebemos os kits de forma gratúita.

Para quem quiser mais informações sobre a TAG: https://www.taglivros.com/

(Texto originalmente publicado no blog Opinião Alex Contin em 24 de maio de 2017)

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