Uma catarse gigante, planos de ação e Comunicado aos inscritos no Marca Páginas

O texto abaixo ainda não foi revisado! Ainda vou colocar imagens e links além de corrigir eventuais erros de digitação e concordância.

 

Assim como os episódios de Steven Universo, entramos, há algum tempo, em hiato. Nos recusamos a publicar qualquer vídeo novo no canal enquanto não tivemos mais episódios e detalhes da White Diamond e é isto.

Brincadeiras à parte, estamos mesmo meio distantes, mas o canal ainda não morreu. O desafio de publicar vídeos semanais é grande quanto as atividades do dia a dia, em especial do trabalho, tomam mais tempo que conseguimos planejar. Essa é uma realidade que nos força, de maneira positiva, a repensar nosso planejamento e otimização do tempo – algo que fica cada vez mais necessário neste mundo louco e agitado que vivemos.

Ultrapassamos, recentemente, a marca de mil inscritos no canal. Para quem está acostumado a seguir outros youtubers e booktubers esse número é praticamente irrisório. Porém, desde que lançamos o primeiro vídeo vibramos com cada novo inscrito. É uma sensação muito gostosa ver que pessoas que sequer conhecemos clicaram em “inscrever-se” e, aparentemente, querem acompanhar nossos conteúdos. A todas e todos, nosso muito obrigado pelo simples clique. às vezes não paramos para pensar nesse simples gesto, mas ele é, sem dúvida, acompanhado com muito carinho pelas pessoas que produzem conteúdo e querem ser ouvidas e debater assuntos que são tão importantes para elas e eles.

Hiatos e mais hiatos

Publicamos nosso último vídeo há mais de dois meses. A minha (Alex) periodicidade foi interrompida, num primeiro momento, por um jogo do PS4 muito especial: Dark Souls 3. Imergi no universo da FromSoftware durante horas e deixei algumas leituras de lado durante alguns dias que se transformaram em algumas semanas. O problema, contudo, foi um sentimento de culpa que a prateleira de livros representava toda vez que desviava os olhos da TV e mirava na coleção de títulos que já li e ainda quero ler.

Estou falando de ansiedade, talvez de depressão, mas com certeza de insegurança também. Quando criei o canal, em novembro de 2017, estava motivado a passar no vestibular da Fuvest e começar logo o curso de Letras na FFLCH/USP, aqui em São Paulo. Fiz das minhas leituras, vídeos e dos meus vídeos, estudos. Foi uma estratégia que deu muito certo porque estudo melhor quando produzo algo sobre aquilo que li.

Aprovado no vestibular, me mudei para São Paulo e aí uma nova realidade se impôs: conciliar trabalho e estudo mais uma vez; trânsito; leituras de teoria; uma casa para cuidar e, consequentemente, contas para pagar.

Assim como esse “hiato” atual, já ficamos mais de uma vez sem publicar nenhum vídeo no canal durante semanas ou meses. Apesar de estarmos quase completando dois anos no Youtube, o processo de aprendizagem continua e cada vez impõe um novo ângulo e uma nova face. Algo sobre o que venho refletindo nas últimas semanas, contudo, é a identidade e o propósito do canal.

Qual seu objetivo? Precisamos de um? O que queremos com o canal? São perguntas bobas, mas que me fizeram perder algumas noites de sono. Não posso dizer que cheguei à uma resposta, mas encontrei alternativas. Algo que pesou nessas considerações foi justamente a quantidade de inscritos.

Infelizmente não tenho ideia do motivo que leva cada um a se inscrever no canal. Embora eu tente acompanhar quais vídeos são mais assistidos e como anda o engajamento em cada um deles e em cada projeto, ainda fico um pouco perdido porque não sinto que o canal tenha uma “identidade”. “Ah, você quer ver crítica de cinema? Assista ao Super 8, do Otávio Ugá”; “Sobre política e debates pertinentes à esquerda? Tese Onze, com certeza!”; “Leituras e análises literárias?” Podemos mencionar vários canais, mas sempre tem aquele que se destaca.

Desabafo

A questão é: e o Marca Páginas, onde ele se encaixa se fosse necessário enquadrá-lo em alguma dessas caixinhas?

Análises literárias? Sim, temos e foi o que guiou o canal até hoje. Alguns vídeos eu simplesmente AMEI fazer: aqueles sobre a Odisseia e a Ilíada, de Homero; Eneida, de Virgílio; Paraíso Perdido, do MIlton; Fausto, do Goethe; Farenheit 451, do Bradburry… a lista é grande porque sempre me recusei a fazer vídeos de livros que não gosto muito, embora já tenha feito. Isso contudo, ressalva algo a que me propus desde o começo: se eu for fazer um vídeo de análise, quero fazer bem feito e embasar minha opinião (positiva ou negativa) para fugir do simples “Gostei/Não gostei”. Ademais e em tempo, escrever isso me faz consciente de que afirmar que “O curso de Letras da USP nos dá uma excelente bagagem cultural” é incontestável.

Claro que teve uns deslizes aqui e ali. Contudo, analisar a produção minha e de outras pessoas foi um processo de aprimoramento importante. Acho que cheguei a um estilo próprio de conteúdo, mas ainda não é o formato final. Falta muito e não há linha de chegada, mas ainda me falta um norte.

A insegurança bateu à porta mais de uma vez e não apenas em relação ao canal. Decidi, no meio do semestre passado (o primeiro de 2018) a trancar o curso de Letras na USP. Não foi uma decisão fácil e ela ainda desperta um sentimento de culpa muito forte as vezes. Essa era minha terceira graduação e tinha todo sentido para a trajetória profissional e acadêmica que eu queria traçar: Jornalismo é minha paixão, Economia é meu objeto, o Mestrado em Divulgação Científica e Cultural foi a “objetificação” desses dois primeiros estudos e Letras seria meu aprimoramento técnico e cultural. Contudo, as coisas mudam.

São Paulo é uma cidade muito intensa e requer um certo fôlego para acompanhar e viver por aqui. Estou em meu segundo emprego e confesso que não tive muita energia para conciliar trabalho e estudos. Além dessa falta de energia me peguei (re)pensando em meus objetivos profissionais: será que o curso de Letras seria realmente necessário para a carreira que quero seguir? Será que esse é um questionamento que eu deveria ter aos 30 anos ou já deveria estar com tudo concretizado nesta idade e só colhendo os frutos de tanto estudo?

O fato de ter trancado o curso evidencia que cheguei a algumas respostas. Porém, outras perguntas surgiram e, entre elas, aquelas sobre o Marca Páginas que já mencionei anteriormente.

Para finalizar a seção de desabafos, vou aproveitar para fazer mais um: estudei, me formei e agora? Como já mencionei, jornalismo e comunicação são meus “grandes amores intelectuais”. Para além dos estudos e leituras sobre essas duas áreas, a profissão de jornalista é sensacional e intrigante. Consegui trabalhar na área em algumas oportunidades: fui estagiário de assessoria de imprensa na Prefeitura de Limeira; repórter e editor no Jornal de Limeira; pauteiro na Kroton e consultor e produtor de conteúdo em dois lugares diferentes, sendo um deles meu trabalho atual. Ok, parabéns!

A questão é, contudo, minha formação em Ciências Econômicas e o mestrado em Divulgação Científica e Cultural. Essas duas formações conclui na Unicamp, “uma das melhores universidades públicas do país”. Eu acreditava que ter o nome “Unicamp” no currículo seria um “plus” sensacional para o mercado de trabalho. Como nome não se vende sozinho, fiz questão de tirar o máximo de proveito dos dois cursos e foi um período que hoje percebo como o de maior evolução pessoal e intelectual. Porém, e é aí que o bixo pega, ficou a questão: “Pra quê tudo isso?”

Meu plano era: fazer o curso de Ciências Econômicas na Unicamp e, quando concluído, voltar a trabalhar como repórter, mas focado no Jornalismo Econômico. Consequentemente eu precisaria sair de Campinas para atingir este objetivo e mirei em São Paulo como um provável campo para retomar a carreira. Mantive esse objetivo como foco durante os cinco anos de curso e, em três deles, me dediquei exclusivamente a estudar (fiz o mestrado e a graduação ao mesmo tempo com bolsa da Fapesp). Quando a realidade de fora dos muros da universidade surgiu, no entanto, nada. Não consegui até hoje trabalhar na área, embora tenha enviado currículos para vários lugares e me peguei num estado de lamentação e depressão muito complexos por conta disso.

Me dei conta, porém, que não sou o único que se forma e não trabalha na área de formação. Na 99, empresa onde trabalhei como “analista de relacionamento” (uma máscara jurídica para telemarketing passivo), entre setembro de 2017 e janeiro de 2018, o que mais se via no setor de atendimento eram pessoas formadas nas mais distintas áreas atuando em uma atividade que nada tinha relação com seus cursos e, o que é pior, sem terem seus conhecimentos aproveitados pelos gestores – resumindo: mão de obra muito qualificada e barata.

Novos planos

Como já feito antes, reformulei meus planos para o canal – e essas reformulações aparentemente continuarão até que eu consiga responder com facilidade a pergunta crucial: “Qual é o propósito do Marca Páginas?”. O que fica evidente pra mim até aqui é que a revolução é constante. Coloco meus anseios e frustrações nos vídeos e não acho isso de todo negativo, mas tudo tem seu preço.

Enfim, vamos às determinações e novos planos.

Tenho consciência de que de nada vai adiantar ficar mudando sempre se meu objetivo é criar uma identidade para o canal. Nos primeiros meses do Marca Páginas eu tinha a visão de que estávamos no começo e o conteúdo colocado ali, pouco a pouco, formaria uma biblioteca de minhas leituras, visões e opiniões. No fundo todo mundo que se dispõe a fazer um vídeo quer as famigeradas plaquinhas de 1M de seguidores do YouTube, porém, tentei focar em passar uma mensagem. Com esse foco em mente, resolvi reformular algumas coisas e criar outras para a próxima temporada de vídeos do Marca Páginas. Vou descrever e registrar aqui algumas delas.

Projeto Marx e Engels

O projeto Marx e Engels surgiu da minha vontade de entender melhor as obras dos dois autores. “O Capital” e seus três volumes foram leituras obrigatórias de mais de uma disciplina no curso de Ciências Econômicas na Unicamp. Me identifiquei instantaneamente com a visão dos dois autores sobre o capitalismo e, principalmente, sobre nossa sociedade. Hoje só não afirmo categoricamente que “sou marxista” porque acredito que ainda preciso estudar muita coisa para ter a segurança de bater no peito e fazer tal afirmação – esse é, portanto, meu objetivo pessoal com o projeto.

O projeto Marx e Engels é, desta forma, um projeto de formação e complementação. Tenho a habilidade de conversar e explicar questões econômicas e sociais debatidas nos volumes d’O Capital, mas Marx e Engels são muito mais que valor de uso, valor de troca, fetichismo e outros conceitos tão importantes. Tive professores excelentes sobre esses temas, porém, o conhecimento de uma graduação é extremamente limitado – vide que li os três volumes do Capital e o Manifesto Comunista, porém, passei longe da obra completa dos dois autores e apenas tive contatos limitados com um ou outro escrito que complementava os assuntos tratados nas duas obras “principais” já mencionadas.

Resumindo: o projeto continua e será continuará sendo publicado todo dia 5 de cada mês, voltando, portanto, em outubro.

Como é o curso de Letras da USP?

Esse projeto será interrompido. Como já mencionei antes, não enxerguei mais um sentido que me motive a continuar o curso e, por isso, resolvi trancá-lo. Me decepcionei com as aulas da habilitação em Alemão e a necessidade de ter um mínimo de conhecimento do idioma para acompanhar as aulas com menos dificuldade. Me iludi? Sem dúvida alguma.

Quando fiz Ciências Econômicas na Unicamp tive a oportunidade de cursar Francês no CEL (Centro de Estudos de Línguas). Eu me apaixonei pelo idioma, mas não consegui finalizar o terceiro semestre do curso porque as atividades do mestrado estavam exigindo muito mais concentração do que exigiu até aquele momento. As professoras eram maravilhosas, as turmas pequenas e muito divertidas… eram aulas que me faziam pular da cama cedo com uma boa dose de animação (meu curso era noturno, mas cheguei a estudar nos três períodos durante alguns semestres).

É como Kratos diz: não crie expectativas, elas são ruins, GAROTO! O francês têm uma proximidade gigantesca com o português e fiquei abismado ao descobrir isso logo nas primeiras aulas do curso, quando a professora começou a priorizar as explicações no idioma e passou a usar o português muito pouco. O alemão, porém… é uma coisa totalmente diferente. O propósito da professora era nobre: quando reclamamos que não conseguimos acompanhar as aulas quando elas eram ministradas apenas em alemão, ela disse que “não temos muito contato com a língua e, por isso, é importante termos um tempo para apenas se dedicar à compreensão dela durante a aula”. Porém, fica a questão: isso logo nos primeiros meses do curso? Se não temos muito contato com a língua, não era necessário fazer uma aproximação mais gradual e não tanto traumática?

Como comentei nos vídeos sobre o curso, a habilitação em alemão exige uma carga de estudos bem grande fora da USP. Não é impossível acompanhar as aulas, mas para fazer isso com tranquilidade é preciso estudar todos os dias, mesmo que seja só ficar repetindo os números e as perguntas principais da língua. Eu realmente fiquei animado durante alguns estudos que fiz quando ainda estava desempregado, porém, quando essa situação mudou, meu tempo para me dedicar ao alemão minguou até chegar ao abandono do curso. Um último ponto que me incomodou na habilitação: mais da metade da sala já tinha um mínimo de domínio do idioma, logo, estavam ali apenas para obter o diploma. Isso, de forma alguma, é um problema, porém, as aulas, quase sempre, eram direcionadas para essas pessoas e não para quem estava aprendendo a língua do zero.

Da habilitação em português o que me desmotivou muito foi o estrelismo de alguns professores. A USP é um nome. Porém, é um nome com prestígio e alguns professores têm muita consciência disso e transformam esse privilégio em um estrelato incrível. Cheguei a ouvir de uma professora, por exemplo, que “a PUC-SP se dedica mais ao estudo de Oswald de Andrade que a USP, porém, a qualidade desses estudos não é boa”. Fiquei muito desmotivado com esse pensamento tão elitista, fora outras coisas que aconteceram nesta e em outras disciplinas. São professores formando professores e é esse tipo de pensamento que eles querem perpetuar? Desculpa, mas não concordo!

Fora isso, sempre tive uma aversão à necessidade de criar caixinhas. Tudo tem um nome e todo nome vem de uma teoria. Isso não é, de forma alguma, um problema, afinal, categorizamos e nomeamos processos para poder compará-los e analisá-los, certo? O problema que me incomoda muito é: se algo não se encaixa na caixinha, não é digno de debate. Exemplo: quantos autores se destacam em cada movimento literário? Eles são eleitos as vozes desses movimentos, porém, e os demais? Só Guimarães Rosa falou sobre o Grande Sertão? Só Machado falou sobre o Rio de Janeiro de sua época? Só Mário de Andrade versou sobre São Paulo? Sim, sim, eu entendo que eles são destaques que marcaram época com seus estilos, visões e blábláblá, porém, e o resto? Se seu poema não tem lógica, ritmo e etc, ele jamais será poema. Vejo nisso uma elitização muito grande do que é e do que não é literatura, do que é e do que não é arte, e isso me incomodou demais!

Claro que nem tudo foi negativo como apontado acima, mas eu esperava mais, muito mais. Passamos um semestre estudando a primeira fase do modernismo e as trovas portuguesas, mas, no balanço final, foi apenas um aprofundamento daquilo que eu já tinha estudado entre 2002 e 2004 no Ensino Médio. Eu queria mais, queria a literatura mundial, os autores renegados, os processos conturbados, mas fiquei só com análises e detalhes de algo que, como professor, só iria ajudar a propagar para “não deixar a cultura brasileira morrer, jamais!”. Me vejo um pouco como progressista, não sei, mas percebo que apenas este “aprofundamento” do que já é senso comum não foi válido pra mim. Nada de realmente novo no horizonte, só a lista de chamada passando e demorando para chegar.

Análises Impressões literárias

Me excedi um pouco no tópico anterior, mas acho que era necessário desabafar mais um pouco sobre a superestimada USP. Penso em voltar para o curso, mas, a partir do momento que tranquei pela primeira vez, tenho dois anos para retornar. Então, não sei.

Seguindo: o canal continua com análises literárias, ou melhor, com impressões literárias. Faço questão de diferenciar: os críticos tomam pra si a capacidade de fazer análises literárias, porém, percebo isso como única e exclusivamente a propagação de um discurso elitista que insiste em colocar textos em caixinhas. Este não é meu objetivo: quando faço um vídeo sobre um livro eu quero, antes de mais nada, falar sobre minha experiência de leitura. Acho que atingi esse propósito no vídeo do “Fausto”, de Goethe, e pretendo continuar com o estilo que decobri naquele momento.

Não me interessa, num primeiro momento, se o narrador é ausente, em terceira pessoa, onisciente ou qualquer outra coisa. O que me interessa é como me senti ao ler o que esse narrador me mostrou. Em algumas obras, como Doutor Fausto, do Thomas Mann (minha leitura atual), não tem como fugir de uma certa “categorização”, afinal, o narrador me parece ser a peça central do livro. Porém, o que isso desperta em mim como leitor? E o assunto tratado, no que ele me fez pensar?

Também pouco me importa a questão da tradução e da edição gráfica. Vejo nesses detalhes firulas desnecessárias para preencher tempo de livro. Contudo, em livros bilingues acho fascinante observar como o tradutor trabalhou com o original para fazer sua versão. Não vou, portanto, ficar criticando traduções, mas acho fascinante esse trabalho e percebi como ele é complexo ao ter aulas com professores-tradutores de clássicos gregos, por exemplo. Sei apreciar, mas vou tentar fazer na medida que acho pertinente.

Resumindo: meus vídeos são sobre impressões.

Primeiro capítulo e Antes de ler

Aqui e no próximo ponto vou me contradizer apenas um pouquinho. Estou planejando fazer vídeos de leitura e interpretação dos primeiros capítulos de alguns livros. Estou lendo Doutor Fausto (como já mencionei) e “O nome do vento”, de Patrick Rothfuss, além de outros título não-literários. Os dois livros me cativaram pelo primeiro capítulo, que são maravilhosos. A obra do Thomas Mann, em especial, tem um primeiro capítulo extremamente significativo e que revela muito do que esperar da obra como um todo. O narrador parece se desnudar logo nos primeiros parágrafos, mas algo desperta um certo estranhamento sobre o porquê e o como aquelas palavras estão ali, logo no primeiro capítulo. O mesmo sentimento é despertado no livro de Rothfuss, mas com suas peculiaridades.

Por ficar tão vidrado nos primeiros capítulos destes dois livros, resolvi que farei vídeos especificamente sobre essa porta de entrada que o autor apresenta ao leitor. Além disso, quero fazer vídeos sobre os livros antes de começar a leitura deles. Meu objetivo é responder: por que escolhi a leitura?; o que sei dela e do autor?; e, se achar pertinente, quem é o autor?. São poucas perguntas, mas que servirão de base de comparação com minha impressão final da leitura. A longo prazo quero também conhecer melhor meu gosto literário que, embora não seja indefinido, sempre pode ser melhor compreendido por mim mesmo.

Conto a conto

Falei que iria me contradizer um pouquinho e o momento é agora. Como deve ter ficado evidente pelo tamanho deste texto, eu adoro escrever. Esqueço do mundo quando faço isso e as páginas vão surgindo até que eu me force a parar. Não escrevo, contudo, apenas sobre desabafos e projetos. Mantenho meu blog pessoal há 10 anos e nele já falei sobre tudo: experiências, resenhas, música, cursos e etc.

Gosto também de me arriscar na literatura, mas não tenho tanta facilidade quanto tenho para artigos opinativos e acadêmicos. Algo me bloqueia e tenho algumas ideias do que possam gerar essas barreiras. Contudo, cheguei à conclusão de que estudar autores que admiro é uma estratégia interessante para tirar as amarras de meu discurso.

A contradição, portanto, é: embora eu deteste as caixinhas da crítica literária, vou usar elas um pouco para fazer uma série de vídeos sobre contos. Essas histórias curtas me fascinam e sempre fico me perguntando como é que esses autores conseguem ser concisos ao apresentar, com começo, meio e fim, um conto perfeito e memorável. Entenda: eu escrevo demais. Das vezes que tentei escrever um conto, quase os transformei em romance, e quando interrompi a história para poupar espaço, o resultado não ficava como eu esperava. Preciso do quê, portanto? Entender o que é um conto. Mas não entender com base nas aulas que fiz na Letras. Elas já me deram uma base interessante sobre personagens e seus desenvolvimentos, narradores e blábláblá.

Meu objetivo será dissecar o conto em suas milhares de partes. O que faz daquele conto um conto? Essa é a pergunta que vou responder. As perguntas secundárias seriam: como o autor começa, desenvolve e termina a história? quanto do personagem é revelado? como é revelado? quem revela? Portanto, vou conseguir fazer isso com um pouco de teoria, embora minha aversão à ela vá limitar esse uso ao máximo.

Por hora tenho os seguintes autores na lista da primeira temporada da séria: Machado de Assis, Virgínia Wolf, Oscar Wilde, Ítalo Calvino, Edgar Allan Poe, Graciliano Ramos, Ernest Hemingway, Clarice Lispector (não vou roubar o projeto da Carol), Arthr Conan Doyle e os Irmãos Grimm. Tenho um ou mais livros de cada um desses autores, mas quero expandir essa lista aos poucos, principalmente para autores latino americanos como Gabriel Garcia Marques e Dostoievski e a trupe europeia (Festa do livro da USP que me aguarde).

Imprensa brasileira

Aqui é outra novidade na qual estou trabalhando há mais tempo e é fruto de vários questionamentos que elenquei no começo deste texto. Como mencionei, sou jornalista, formado em Ciências Econômicas e Mestre em divulgação científica e cultural.

Isso é uma carteirada? Sim. Pra quem? Pra mim mesmo.

Estudei mais de dez anos para ter a bagagem teórica e intelectual que tenho hoje, porém, vivo me auto-depreciando sobre minhas próprias capacidades e impondo limites cada vez mais severos. Por um lado, isso impõe uma barreira de crescimento muito forte e me prejudica demais; por outro, me oculta e me inviabiliza tanto no mercado de trabalho como também no caminho em busca de meus objetivos pessoais e profissionais.

No mestrado fiz um estudo sobre a cobertura da imprensa brasileira da privatização da Telebrás no governo do Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 1998 (quando ele assumiu e quando concluiu a privatização da estatal). Na dissertação avaliei os discursos de quatro revistas: Veja, Carta Capital, IstoÉ e Época. Foi um trabalho enorme (ficou com mais de 400 páginas) e muito complexo. Porém, foi maravilhoso: consegui unir, com sempre quis, minhas formações em jornalismo e economia (esta ainda em desenvolvimento ao longo do mestrado). Estudei como é a imprensa brasileira e quais são suas ligações com a política econômica, com os interesses do capitalismo e com os leitores. Parti da hipótese de que as quatro revistas manipularam seus leitores em prol de uma estratégia de (des)construção do Estado – mais “desconstrução” que “construção” no caso da Veja, da IstoÉ e da Época, mas todas manipuladoras, inclusive a Carta Capítal.

Além das relações com os interesses com o capital, um ponto que ficou muito evidente neste estudo foi a facilidade com que a imprensa manipula os leitores. Acima disso, contudo, ficou evidente como os leitores se deixam manipular! Apesar de todos os avanços na tecnologia da informação, as pessoas não leem mais que um jornal por dia. É super compreensível que o tempo é um limitante muito forte, porém, não há consciência de que essa limitação na leitura sobre notícias é ruim para as pessoas. Em tempos de Facebook, as pessoas só veem os títulos e saem compartilhando tudo. Isso é péssimo!

Um outro ponto preocupante é o economês. Quantas pessoas leigas leem notícias sobre economia e entendem o que leram ou ouviram? A imprensa ajuda a esclarecer termos e impactos? Sem dúvida alguma, NÃO. Isso é estratégico, assim como o desmonte da educação brasileira.

Com tudo isso exposto, meu objetivo é retomar meus estudos do mestrado e ampliá-lo a fim de mostrar, para quem quiser ver, ler e ouvir, o quanto somos manipulados pela imprensa brasileira.

Pretendo fazer um ou mais vídeos específicos sobre o estudo da dissertação, afinal a privatização da Telebrás completou 20 anos em agosto, mas este não será o foco principal. O foco será selecionar um tema, como a greve dos caminhoneiros de 2018, e analisar o discursos de diferentes jornais e revistas. Lá no instagram eu já havia publicado uma foto das revistas Veja, Época e Carta Capital, todas do começo de junho. As três trataram da greve dos caminhoneiros com enfoques diferentes. No canal eu fiz um vídeo sobre a cobertura do Estadão sobre o mesmo tema. O que farei será: esquematizar uma análise comparada dos discursos de cada um desses veículos e mostrar quais dados, argumentos e visões são apresentados aos leitores. Parto da hipótese de que cada veículo apresenta um discurso condizente com sua linha editorial (o que é óbvio) e com seus interesses políticos e econômicos (o que nem sempre fica evidente e é onde a manipulação ocorre).

Depois deste primeiro tema (greve dos caminhoneiros), vou pedir sugestões aos inscritos e selecionar novos assuntos para as comparações e análises. A longo prazo o objetivo é ter um conteúdo bacana sobre a imprensa brasileira que possa ajudar leitores a entenderem que a verdade não é propriedade de ninguém.

 

Chega né… ninguém vai ler, mas esse é meu plano de ação para os próximos meses. =)

Se tudo começa com um primeiro passo, este é o meu.

Para compartilhar por aí...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *